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Decarvalho
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« em: 20 Fev 2007, 13:43 » |
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Carissimos AC...para compensar as más noticias aqui vai uma boa e já antiga, de 2003, retirada da Revista Visão...é bom material para se enviar a jornalistas e autarcas distraidos
Pela estrada fora Viajar de carro pode ser uma excelente opção de férias, em tempo de crise. Na estrada existe liberdade: é possível escolher rotas originais, esticar ou encurtar o tempo reservado a cada local ou até mudar de ideias e rumar a outros lugares. Das planícies douradas da Andaluzia às praias azul-turquesa da Cróacia, dos oásis de Marrocos às vilas românticas de Itália, a VISÃO sugere-lhe 12 percursos para todos os gostos... e todas bolsas Miguel Judas e Patrícia Fonseca / VISÃO nº 540 10 Jul. 2003
Escolha o seu percurso 1 - Terras da Ibéria
2 - Fim-de-semana andaluz
3 - Por entre o verde
4 - O litoral selvagem
5 - No reino dos califas
6 - O exotismo aqui tão perto
7 - Pelas curvas da Catalunha
8 - A rota charmosa de França
9 - Pronúncia do Norte
10 - As cidades e o sonho
11 - Costa de luxo
12 - Do Mediterrâneo ao Adriático Há qualquer coisa de mágico e libertador quando se conduz, sem pressas nem compromissos, por terras desconhecidas. Ao sabor do mapa. Seja de carro, seja de mota ou numa autocaravana, pelo campo, pela montanha ou à beira do mar, há um mundo inteiro de paisagens à espera de uma oportunidade para deslumbrar o turista que passa.
Esbanjar é sempre possível, mas, com planeamento e contenção, as férias on the road constituem uma solução económica a ter em conta, nestes tempos de crise.
A maioria dos europeus adoptou, há muito, este tipo de férias. Mas os portugueses, apesar de adorarem carros, ainda se aventuram pouco pelas estradas além-fronteiras. É certo que Portugal fica numa ponta da Europa e tudo o que fique para lá de Espanha parece, à escala dos mapas de estradas, longínquo e inacessível. No entanto, o mundo mudou muito nos últimos anos. As vias rápidas multiplicaram-se no interior de muitos países estrangeiros, onde há estradas secundárias que fazem corar de inveja as auto-estradas nacionais. Os carros são também cada vez mais rápidos, mais confortáveis e mais seguros. Quando Lisboa-Madrid se percorre em menos de cinco horas e um dia de viagem chega para cruzar a fronteira de França ou de Marrocos, não há razões que justifiquem deixar o carro estacionado durante as férias.
Outro dos grandes atractivos das viagens de carro é a liberdade. Escolhem-se os destinos, olhando para um mapa, misturando os conselhos de amigos com as sugestões dos guias turísticos. Decidem-se velocidades, paragens e desvios, ao sabor das vontades do momento. Mudam-se os planos, quando a natureza impõe um céu nublado fora de época, mas também perante a surpresa de um recanto bonito. Em suma, é-se dono do tempo.
Ao volante em segurança Para viver umas férias ao volante, em total segurança, são vários os cuidados a tomar. O melhor é mandar fazer uma revisão completa ao carro, nos dias que antecedem a partida, dando especial atenção aos pneus, faróis e nível do óleo – do motor e dos travões. Confirmar se os documentos estão em ordem também é aconselhável: a maioria dos seguros automóveis não abrange, por exemplo, o território de Marrocos, sendo necessária uma extensão da apólice ou a realização de um seguro provisório, disponível na fronteira.
Em caso de avaria no caminho, poderão ser necessárias algumas peças extras, como fusíveis ou um jogo de luzes suplente (obrigatório em Espanha, tal como os dois triângulos). Objectos como um canivete suíço, uma lanterna ou um extintor (obrigatório na Finlândia) também serão úteis numa emergência.
A bagagem deve ser bem distribuída pelo carro, de modo a evitar desequilíbrios, e ir bem acondicionada – num acidente, até uma inofensiva lata de conservas se pode tornar mortal, caso seja projectada a alta velocidade.
A viagem deve iniciar-se pela manhã: está mais fresco, as estradas não estão tão concorridas e aproveita-se a luz do dia para conduzir.
De modo a evitar acidentes devido ao cansaço, deverão ser efectuadas paragens a cada três horas ou, se possível, conduzir por turnos e, claro, parar sempre que se sentir sono. Da Guarda ao círculo polar árctico
É um ritual quase «religioso», como o próprio define, que se repete todos os anos, no Verão. Aproveitando as férias escolares, o professor Alves Ambrósio, 61 anos, pega na sua VW Transporter de 1969 e parte, sozinho, à descoberta do mundo.
A paixão pelas viagens sente-a desde que tirou a carta de condução, mas só a partir de 1986 iniciou as suas aventuras além da Península Ibérica. Nesse ano, o destino escolhido foi Marrocos e, desde então, nunca mais parou – da Grécia à Escandinávia, já fez mais de 100 mil quilómetros na carrinha que, durante as férias de Verão, se transforma no seu lar.
No final de Julho, estará de partida para a Finlândia. Antes de chegar à Escandinávia, tem várias paragens previstas: Madrid, Valência, Bilbau, Bordéus, Bélgica, Holanda e Dinamarca. «Vou parando», diz. Faz questão de nunca ficar escravo de um programa. Há apenas uma paragem obrigatória para este professor de História de Arte – uma área de serviço na Holanda. «Parei lá tantas vezes que eu e o dono acabámos por tornar-nos amigos. Já é tradição passar ali para lhe oferecer uma garrafa de vinho do Porto.»
Nos próximos anos, o amigo holandês pode dar como certa a lembrança do professor da Guarda, que já tem planos para visitar a Áustria e a República Checa. «Gostaria de ir a Moscovo e a São Petersburgo, mas são destinos perigosos para um viajante solitário, por causa das máfias de Leste», lamenta.
Viagens como inspiração
Em 1994, quando Pedro Abrunhosa chegou a Moscovo, depois de três meses de viagem pela Europa ao volante de uma 4L, não existiam estes receios, pelo menos de forma tão marcada. A viagem só terminou ali, porque o carro não aguentou os rigores do Inverno russo.
A aventura desse ano incluiu paragens em Madrid, Barcelona, Milão, Veneza e Budapeste, para depois entrar nos Cárpatos e nas misteriosas montanhas da Transilvânia, antes de alcançar Moscovo. E foi cruzando estas estradas que o músico compôs o seu primeiro álbum, Viagens , um dos maiores sucessos discográficos de sempre, no nosso país.
Pedro Abrunhosa habituou-se, desde muito cedo, a correr mundo e lamenta que os portugueses se aventurem tão pouco. «Viajo sozinho desde os 13 anos, era o prémio que os meus pais me davam em troca das boas notas. Fiz 12 inter-rails e também andei muito à boleia.» O músico considera que Espanha acaba por ser uma barreira psicológica. «Sofremos desta tendência caseira, de um medo atávico que herdámos de meio século de proibições. É certo que cada vez se viaja mais. Mas as viagens de finalistas fazem-se para Cancun…»
Para a engenheira Maria João Guerra, 28 anos, o mal que prende os portugueses às suas fronteiras é a falta de curiosidade. «Trata-se de uma questão cultural. A maioria ainda gosta de passar férias no mesmo sítio, todos os anos.» Só a ideia já faz com que fiquem de cabelos em pé. Lígia Guerra, 32 anos, ri-se com a expressão enjoada da irmã, ao recordar a viagem que fizeram as duas, há dois anos, a Itália. «Foi uma experiência extraordinária, nunca tinha ido tão longe de carro.» Maria João conta que tinham pouco dinheiro e que, por isso, a solução foi carregar o porta-bagagens de comida e dormir em parques de campismo. «Acampar na Europa é muito diferente, não há o espírito das vivendas de pano, dominante em Portugal. Valoriza-se, sobretudo, o contacto com a natureza.» A opção permitiu-lhes passear durante três semanas e, no final, ainda sobrou dinheiro para comprar roupa e sapatos italianos. «Há a ideia errada de que se gasta um balúrdio a viajar de carro pela Europa. Mas o que nós gastámos não pagava duas semanas no Algarve.»
Mais longe, mais barato
Adeptos das viagens sobre rodas, Nuno Figueiredo, 29 anos, e Fátima Melo, 32, já conheceram vários países com muito pouco dinheiro. Um dos últimos destinos foi Amesterdão, com paragens estratégicas no País Basco e em Paris. «Eram dois locais que há muito queríamos conhecer e só pudemos realizar esse desejo porque fomos de carro. Além de ser mais económico, de avião seria impossível», explica aquele designer gráfico. Em 1999 o casal viajou até às praias do Sul de Marrocos. «Em 10 dias, gastámos pouco mais que 600 euros, já com o gasóleo incluído.»
Rafael Toucedo, 25 anos, é sensível ao factor económico destas viagens. «É verdade que se poupa bastante dinheiro, mas é necessário ter tempo para fazer um percurso que valha a pena.» O jornalista prefere eleger o «conforto, liberdade e mobilidade» como razões para passar as férias ao volante, de preferência longe, muito longe, como aconteceu em Março e Abril deste ano, na viagem que fez ao Chile e à Argentina. Não que tenha atravessado o oceano de automóvel, claro, mas mal pôs pé em terra firme, de imediato arranjou um carro, junto dos familiares do amigo que o acompanhava. E foi assim que chegou à Ilha de Chiloé e ao vulcão de Villarrica.
O baptismo do jornalista numa viagem longa, ao volante, aconteceu em 1999, quando percorreu meia Europa com um grupo de amigos para assistir ao eclipse solar, na Hungria. Partiram de Lisboa a 30 de Julho, passaram por Madrid, Saragoça e Barcelona e dois dias depois já estavam no Mónaco. Seguiram por Veneza, Lubliana e Zagreb e, no dia 7, assistiram ao último eclipse do milénio, como planeado, nas margens do Lago Balaton.
A decoradora Cristina Lucas, 45 anos, já viajou por quase toda a Europa, mas cansou-se das suas «paisagens assépticas» e prefere rumar a Marrocos, país a que regressa todos os anos, desde os finais da década de setenta. A paixão pelo mundo berbere foi herdada pela filha Joana, 25 anos, estudante de Antropologia, que conheceu o país na companhia da mãe, aos 11 anos. «É uma terra muito bonita, de horizontes largos, cheia de cores e cheiros diferentes. É fabuloso para andar de carro.» Juntas, já viajaram mais de dez vezes para Marrocos e ambas consideram que essas aventuras contribuíram decisivamente para a relação cúmplice que hoje mantêm.
Falta muito? Viajar com crianças pode ser uma aventura muito pouco divertida. Mas há formas de contornar a impaciência típica dos mais novos. A bem da sanidade dos mais velhos...
Envolver as crianças na definição dos percursos pode levá-las a interessarem-se mais pela viagem. Se a idade o permitir, entregue-lhes um mapa e transforme-os em co-pilotos. Em que estrada estamos, que aldeia vem a seguir, quantos quilómetros faltam para o nosso desvio? Passe a fazer as perguntas e deixe-as ocupados a encontrar as respostas
O banco de trás é o reino dos mais pequenos. Leve almofadas e uma manta para tornar os momentos de descanso mais confortáveis e deixe-os escolher os brinquedos que querem levar. Uma pequena placa de madeira pode transformar-se numa mesa improvisada, para pintar e desenhar. A selecção da música também deve contemplar os gostos dos mais novos
Faça os percursos mais longos durante a noite ou logo a seguir às refeições, aproveitando os períodos de sono das crianças
Água, bolachas e fruta nunca devem faltar a bordo. É também importante respeitar os horários das refeições e parar de três em três horas, para andar um pouco e ir à casa de banho. Caso o tempo o permita, faça um piquenique em vez de tomar uma refeição numa estação de serviço. Os miúdos preferem e sempre podem gastar energias, brincando ao ar livre. Pela estrada, em família
Se algumas condições existem para se alcançar uma absoluta liberdade, é espírito prático e capacidade de adaptação. E quando a viagem inclui crianças, junte-se-lhes uma boa dose de paciência e muita criatividade.
Parece fácil, ao ouvir o advogado Pedro Górdon, 37 anos, e a arquitecta paisagista Catarina Assis Pacheco, 33, falar com entusiasmo das suas últimas férias em família, há dois anos, por terras da Bretanha. No banco de trás viajavam a Margarida, 6 anos, o João, 4, e o Simão, com apenas 10 meses. «O segredo é proporcionar-lhes o mínimo de conforto e mantê-los ocupados. Sempre que viajamos, oferecemos um bloco novo a cada um, bem como kits de pintura, e deixamos que escolham alguns brinquedos», explica Catarina. «A música também é seleccionada segundo o gosto deles e levamos sempre cassetes com histórias infantis. E muitas bolachas Maria», remata, bem-disposta.
«Já viajávamos muito os dois e mesmo com os miúdos continuamos a fazer-nos à estrada, sem nada marcado. O que é atraente nestas viagens é a liberdade de escolher», considera Pedro. Só quando o Sol começava a fugir é que pensavam em procurar um sítio para passar a noite, que encontravam, geralmente, com a ajuda preciosa dos filhos mais velhos. «Nesse ano, íamos com um plafond um pouco limitado e só podíamos ficar em hotéis baratinhos. Convencemos os miúdos de que os hotéis com menos estrelas é que eram os melhores…», conta, com um sorriso, enquanto relembra os gritos de felicidade da Margarida: «Está ali um de uma estrela!»
A preocupação das dormidas acabou para a advogada Marília Lourenço, 36 anos, no ano em que se rendeu ao conforto das autocaravanas. Com um filho de 5 anos e outro de um ano e meio, considera ser este o meio ideal para manter a liberdade de escolher os percursos de férias, sem a rigidez do banco do carro. «A verdade é que os miúdos se entretêm muito pouco a olhar pela janela e numa autocaravana têm um apoio logístico que no carro não existe. Há frigorífico, televisão, podem brincar, ler um livro… é muito diferente.» Habituada a viajar sem regras, desde a adolescência, Marília encontrou nas autocaravanas a solução ideal para fugir aos pacotes de férias das agências de turismo. «Numa viagem tem de haver o elemento surpresa. Para mim, seria impensável viajar, sabendo, à partida, que iria dormir sempre no mesmo sítio, durante tantos dias, para ir à praia ao lado, tendo isto e aquilo para comer ao pequeno-almoço, almoço e jantar. Eu quero poder optar. E a caravana oferece-me a liberdade suprema de estacionar num sítio bonito e dizer: é aqui que me apetece acordar amanhã.»
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