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Autor Tópico: Pela Estrada Fora: sugestões de viagem  (Lida 17770 vezes)
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Decarvalho
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« Responder #12 em: 22 Set 2008, 12:41 »

Ora vivam
autocaravanistas itinerantes e praticantes....

aqui vão dois relatos recentes

1) Alentejo e Algarve (48h)

http://camping-caravanismo-e-autocaravanismo.blogspot.com/2008/09/realto-de-viagem-48h-no-alentejo-e.html

2) 4 noites Saragoça e Biarritz
http://camping-caravanismo-e-autocaravanismo.blogspot.com/2008/08/blitz-raid-four4-noites-em-ac-de.html
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Decarvalho
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« Responder #11 em: 08 Ago 2008, 16:29 »

Ora vivam...

Por motivos diversos e convergentes este ano as voltas são ate agora voltinhas....

aqui vai a ultima, habitualmente com fotos e outras dicas em:
http://camping-caravanismo-e-autocaravanismo.blogspot.com/2008/08/raid-de-48h-alenquer-abrantes-valhelhas.html


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Decarvalho
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« Responder #10 em: 26 Jun 2008, 08:46 »

Ola Acs...

para quem esta a pensar passar por Bruxelas este verão...aqui vão umas dicas.

http://camping-caravanismo-e-autocaravanismo.blogspot.com/2008/06/bruxelas-48h-de-raid-grand-place.html
« Última modificação: 26 Jun 2008, 08:47 por Decarvalho » Denunciar ao Moderador   Registado
JRFIRMINO
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: Out, 2006

Sócio Nº 550


« Responder #9 em: 14 Jun 2008, 22:47 »

Caro Companheiro AMENESES

Para fazer uma ideia do Caminho Portugues, experimente este site:

http://www.amigosdelcamino.com/php/upload/GUIA_PORTUGESreduc.pdf

O ano passado fiz parte do caminho Francês com o Companheiro Decarvalho.
Este ano, vou fazer o caminho Inglês

Um abraço e BOM CAMINHO

João Firmino
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João Firmino
Queluz-Sintra
Decarvalho
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« Responder #8 em: 14 Jun 2008, 09:39 »

Viva meu caro Vice Rei do Norte !

Ainda  há bem pouco tempo estive em Aveiro e almocei no Moliceiro com a Ac estacionada junto ao canal a seguir ao Rossio...(ou Rocio?) ! Excelente .

quanto a Santiago.
Desconheço o Caminho Português e pessoalmente so fiz em grupo, e como consta do relato, os ultimos 160Km do caminho francês, ( na Galiza)
Sei de um outro projecto, para Setembro deste ano, que é a realização do caminho Inglês (veja uma nota em :
http://bardoalem.blogsot.com/2008/02/em-organizaao-para-satembro-de-2008.html )
Sobre  a sua ideia, trata-se do caminho Portugês, pelo menos parcialmente... só ha que ver literatura que abunda na net....mas olhe que as condições naturais e milenarias do caminho francês...são excepcionais. Quase não há caminho a beira da estrada!

quanto  a França

Um percurso para 40 dias, pode ser o mesmo que um percurso para 20 dias se permanecer 48h em cada paragem...ou seja depende do ritmo! Nesta listagem omite-se a seu pedido o sul mediterrnico e tambem a zona dos castelos do Loire...se quiser escolher ´so um...tente Saumur.

Todavia sugiro:
Biarritz, ST Jean de Luz (passeio de barco) Ascain e montanha da RUNE (subida de comboio)
Duna do Pylat (Arcachon)
Illa de Re, e Oleron.... e La Rochelle
ST Emilion (Bordeus)
Noirmoutier ( e passagem na mera vaza, a seco)
Puy du Fou ( vista ao parque de diversoes e espactaculo nocturno)
Quiberon (passeio de barco com almoço na baia,  e menhirs)
Brest (Oceanario)
St Malo, St Michel
Praias do Desembarque e Bayeux
Havre (Ponte da Europa) e costa atlantica ate Berck Plage
Inicio de regresso...
Paris (travessia)
Bar-Le-duc,
Obernai, Alsacia, e Starsbourg
castelo de Kronenburg, Colmar, Mulhouse (museu automovel)
Besançon, Vichy
Brive la Gaillarde,
Sarlat-la-Caneda, Payrac (grutas)
Perigueux, Brantome, Dordogne (vale e Rio)
Mont de Marsan
ST Jean de Pied de Port, Roncesvales....e Espanha....
Bibliografia
Guias Michelin Verdes das regiões a atravessar
Guia American Express França
Les plus beaux détours de France ( Michelin)
Villages de Charme FRANCE, (ed. Rivages)
Le GUIDE LES ROUTIERS (Les bons Restaurants ( ed. SEJT Michel lafont)
Villages Fleuris de France (ed Readers Digest)
etc...


Boas voltas e reviravoltas!
« Última modificação: 14 Jun 2008, 09:43 por Decarvalho » Denunciar ao Moderador   Registado
Ameneses
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: Mai, 2006


Sócio, Nº 394


« Responder #7 em: 14 Jun 2008, 00:38 »

Boas Decarvalho.

É isso que se pede: sugestões no sítio certo.

Já agora (para mim) se tiver um roteiro que dê para 40 dias em França, excluindo a Costa mediterrânica, agradecia.

Como em princípio a minha «professora» pensa jubilar-se em Outubro e estamos com a ideia de ir a pé de Aveiro a Santiago de Compostela, agradecia umas dicas que incluam trajectos, sítios de repouso, etc.

Saudações Autocaravanistas,

Ameneses

P.S. Vimos o que aconteceu com o bloqueio dos empresários/camionistas. Outros bloqueios se anunciam. Será que para termos uma Federação Autocaravanista teremos que «dar o coiro ao manifesto»?
« Última modificação: 14 Jun 2008, 00:39 por Ameneses » Denunciar ao Moderador   Registado

Adérito Meneses
Aveiro
Decarvalho
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« Responder #6 em: 13 Jun 2008, 17:45 »

Vivam ACs....

Diz-se neste topico e secção que se trata de partilhar planos de viagens

pois aqui fica uma mão cheia, e aberta de boa vontade !

http://camping-caravanismo-e-autocaravanismo.blogspot.com/2008/06/indice-de-relatos-de-viagens-na.html

Muito boas voltas e reviravoltas !
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Decarvalho
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« Responder #5 em: 22 Mar 2008, 17:53 »

Vivam ACs....

aqui fica nota de mais uma viagem em Ac, com indicaçao de custos e na distancia de quase 6000 Km...com dicas sobre AS e outros locais de interesse...

http://camping-caravanismo-e-autocaravanismo.blogspot.com/2008/03/raid-alenquer-paris-berlim-alenquer-de.html
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Decarvalho
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« Responder #4 em: 06 Set 2007, 22:23 »

carissimo antonio

ja lá tem o relato completo (no blogspot) com fotos a condizer. França, Alemanha, Belgica e Holanda
De facto correu tudo bem e recomendo varios dos locais por onde passei

boas voltas!
« Última modificação: 22 Mar 2008, 17:53 por Decarvalho » Denunciar ao Moderador   Registado
Antonio
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Mensagens: 55

: Jul, 2007


« Responder #3 em: 13 Ago 2007, 22:56 »

Amigo Decarvalho
E desejo-lhe a melhor viagem de sempre, com alegria boa disposição  e optimo trabalho (profissional )
Depois no regresso conte novidades.
Um Abraço
António
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António Damas
V. Franca de Xira
Decarvalho
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« Responder #2 em: 13 Ago 2007, 09:45 »

carissimos

Agora vou eu pela estrada fora...a previsao é seguir dia 15 e voltar no fim do mês, mais uma vez juntando o util ao agradável...isto é...
- uma reuniao de trabalho dia 20 em Bonn
- um periplo por algumas obras de arte (leia- de engenharia) francesas, entre elas, a ponte canal de Briare http://www.coeur-de-france.com/briare-canal.html
as sete eclusas, http://www.yonne-89.net/photoPuisaye.htm
 o plano inclinado www.plan-incline.com,
e as 9 eclusas de Bezier em Fonserannes...http://www.decouverte34.com/9-Ecluses-de-Fonserannes-Beziers
- a rota da Alsacia, incluindo povoações de interesse medieval junto a linha Maginot (Bitche, por exemplo) http://www.lignemaginot.com/index10.htm
e a rota do vinho Riesling...até Colmar http://fr.wikipedia.org/wiki/Vignoble_d'Alsace
passando ainda pela linha de fortificações de Vauban...
http://www.sites-vauban.org/

A ver vamos depois no relato, pois nunca o planeamento em autocaravanismo é PLANIFICAÇÂO...fica sempre uma larga margesm para imprevistos, acidentes meteorologicos e outros incidentes, e portanto ha sempre planos B, e biblioteca que permita a sua definição ad hoc..

mas ai ficam sites e sugestões...para uma viagem serena e cultural!
http://www.seniorplanet.fr/anim/partir-en-camping-car.17204.fr.html

« Última modificação: 15 Ago 2007, 09:14 por Decarvalho » Denunciar ao Moderador   Registado
Raul Lopes
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« Responder #1 em: 20 Fev 2007, 22:57 »

Para quem quiser ver os mapas e o texto dos 12 percursos de viagem sugeridos pela VISÃO, pode consultar a versão online da revista cujo link está na página Web do CPA, na secção Testemunhos de Viagem, com o título:
Doze sugestões de viagem, VISÃO
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Decarvalho
Visitante
« em: 20 Fev 2007, 13:43 »

Carissimos AC...para compensar as más noticias aqui vai uma boa e já antiga, de 2003, retirada da Revista Visão...é bom material para se enviar a jornalistas e autarcas distraidos

Pela estrada fora
Viajar de carro pode ser uma excelente opção de férias, em tempo de crise. Na estrada existe liberdade: é possível escolher rotas originais, esticar ou encurtar o tempo reservado a cada local ou até mudar de ideias e rumar a outros lugares. Das planícies douradas da Andaluzia às praias azul-turquesa da Cróacia, dos oásis de Marrocos às vilas românticas de Itália, a VISÃO sugere-lhe 12 percursos para todos os gostos... e todas bolsas
Miguel Judas e Patrícia Fonseca / VISÃO nº 540    10 Jul. 2003

 
 Escolha o seu percurso
 
1 - Terras da Ibéria

2 - Fim-de-semana andaluz

3 - Por entre o verde

4 - O litoral selvagem

5 - No reino dos califas

6 - O exotismo aqui tão perto

7 - Pelas curvas da Catalunha

8 - A rota charmosa de França

9 - Pronúncia do Norte

10 - As cidades e o sonho

11 - Costa de luxo

12 - Do Mediterrâneo ao Adriático
 
Há qualquer coisa de mágico e libertador quando se conduz, sem pressas nem compromissos, por terras desconhecidas. Ao sabor do mapa. Seja de carro, seja de mota ou numa autocaravana, pelo campo, pela montanha ou à beira do mar, há um mundo inteiro de paisagens à espera de uma oportunidade para deslumbrar o turista que passa.

Esbanjar é sempre possível, mas, com planeamento e contenção, as férias on the road constituem uma solução económica a ter em conta, nestes tempos de crise.

A maioria dos europeus adoptou, há muito, este tipo de férias. Mas os portugueses, apesar de adorarem carros, ainda se aventuram pouco pelas estradas além-fronteiras. É certo que Portugal fica numa ponta da Europa e tudo o que fique para lá de Espanha parece, à escala dos mapas de estradas, longínquo e inacessível. No entanto, o mundo mudou muito nos últimos anos. As vias rápidas multiplicaram-se no interior de muitos países estrangeiros, onde há estradas secundárias que fazem corar de inveja as auto-estradas nacionais. Os carros são também cada vez mais rápidos, mais confortáveis e mais seguros. Quando Lisboa-Madrid se percorre em menos de cinco horas e um dia de viagem chega para cruzar a fronteira de França ou de Marrocos, não há razões que justifiquem deixar o carro estacionado durante as férias.

Outro dos grandes atractivos das viagens de carro é a liberdade. Escolhem-se os destinos, olhando para um mapa, misturando os conselhos de amigos com as sugestões dos guias turísticos. Decidem-se velocidades, paragens e desvios, ao sabor das vontades do momento. Mudam-se os planos, quando a natureza impõe um céu nublado fora de época, mas também perante a surpresa de um recanto bonito. Em suma, é-se dono do tempo.
 

 
 Ao volante em segurança
 
Para viver umas férias ao volante, em total segurança, são vários os cuidados a tomar. O melhor é mandar fazer uma revisão completa ao carro, nos dias que antecedem a partida, dando especial atenção aos pneus, faróis e nível do óleo – do motor e dos travões. Confirmar se os documentos estão em ordem também é aconselhável: a maioria dos seguros automóveis não abrange, por exemplo, o território de Marrocos, sendo necessária uma extensão da apólice ou a realização de um seguro provisório, disponível na fronteira.

Em caso de avaria no caminho, poderão ser necessárias algumas peças extras, como fusíveis ou um jogo de luzes suplente (obrigatório em Espanha, tal como os dois triângulos). Objectos como um canivete suíço, uma lanterna ou um extintor (obrigatório na Finlândia) também serão úteis numa emergência.

A bagagem deve ser bem distribuída pelo carro, de modo a evitar desequilíbrios, e ir bem acondicionada – num acidente, até uma inofensiva lata de conservas se pode tornar mortal, caso seja projectada a alta velocidade.

A viagem deve iniciar-se pela manhã: está mais fresco, as estradas não estão tão concorridas e aproveita-se a luz do dia para conduzir.

De modo a evitar acidentes devido ao cansaço, deverão ser efectuadas paragens a cada três horas ou, se possível, conduzir por turnos e, claro, parar sempre que se sentir sono.
 
Da Guarda ao círculo polar árctico

É um ritual quase «religioso», como o próprio define, que se repete todos os anos, no Verão. Aproveitando as férias escolares, o professor Alves Ambrósio, 61 anos, pega na sua VW Transporter de 1969 e parte, sozinho, à descoberta do mundo.

A paixão pelas viagens sente-a desde que tirou a carta de condução, mas só a partir de 1986 iniciou as suas aventuras além da Península Ibérica. Nesse ano, o destino escolhido foi Marrocos e, desde então, nunca mais parou – da Grécia à Escandinávia, já fez mais de 100 mil quilómetros na carrinha que, durante as férias de Verão, se transforma no seu lar.

No final de Julho, estará de partida para a Finlândia. Antes de chegar à Escandinávia, tem várias paragens previstas: Madrid, Valência, Bilbau, Bordéus, Bélgica, Holanda e Dinamarca. «Vou parando», diz. Faz questão de nunca ficar escravo de um programa. Há apenas uma paragem obrigatória para este professor de História de Arte – uma área de serviço na Holanda. «Parei lá tantas vezes que eu e o dono acabámos por tornar-nos amigos. Já é tradição passar ali para lhe oferecer uma garrafa de vinho do Porto.»

Nos próximos anos, o amigo holandês pode dar como certa a lembrança do professor da Guarda, que já tem planos para visitar a Áustria e a República Checa. «Gostaria de ir a Moscovo e a São Petersburgo, mas são destinos perigosos para um viajante solitário, por causa das máfias de Leste», lamenta.

Viagens como inspiração

Em 1994, quando Pedro Abrunhosa chegou a Moscovo, depois de três meses de viagem pela Europa ao volante de uma 4L, não existiam estes receios, pelo menos de forma tão marcada. A viagem só terminou ali, porque o carro não aguentou os rigores do Inverno russo.

A aventura desse ano incluiu paragens em Madrid, Barcelona, Milão, Veneza e Budapeste, para depois entrar nos Cárpatos e nas misteriosas montanhas da Transilvânia, antes de alcançar Moscovo. E foi cruzando estas estradas que o músico compôs o seu primeiro álbum, Viagens , um dos maiores sucessos discográficos de sempre, no nosso país.

Pedro Abrunhosa habituou-se, desde muito cedo, a correr mundo e lamenta que os portugueses se aventurem tão pouco. «Viajo sozinho desde os 13 anos, era o prémio que os meus pais me davam em troca das boas notas. Fiz 12 inter-rails e também andei muito à boleia.» O músico considera que Espanha acaba por ser uma barreira psicológica. «Sofremos desta tendência caseira, de um medo atávico que herdámos de meio século de proibições. É certo que cada vez se viaja mais. Mas as viagens de finalistas fazem-se para Cancun…»

Para a engenheira Maria João Guerra, 28 anos, o mal que prende os portugueses às suas fronteiras é a falta de curiosidade. «Trata-se de uma questão cultural. A maioria ainda gosta de passar férias no mesmo sítio, todos os anos.» Só a ideia já faz com que fiquem de cabelos em pé. Lígia Guerra, 32 anos, ri-se com a expressão enjoada da irmã, ao recordar a viagem que fizeram as duas, há dois anos, a Itália. «Foi uma experiência extraordinária, nunca tinha ido tão longe de carro.» Maria João conta que tinham pouco dinheiro e que, por isso, a solução foi carregar o porta-bagagens de comida e dormir em parques de campismo. «Acampar na Europa é muito diferente, não há o espírito das vivendas de pano, dominante em Portugal. Valoriza-se, sobretudo, o contacto com a natureza.» A opção permitiu-lhes passear durante três semanas e, no final, ainda sobrou dinheiro para comprar roupa e sapatos italianos. «Há a ideia errada de que se gasta um balúrdio a viajar de carro pela Europa. Mas o que nós gastámos não pagava duas semanas no Algarve.»

Mais longe, mais barato

Adeptos das viagens sobre rodas, Nuno Figueiredo, 29 anos, e Fátima Melo, 32, já conheceram vários países com muito pouco dinheiro. Um dos últimos destinos foi Amesterdão, com paragens estratégicas no País Basco e em Paris. «Eram dois locais que há muito queríamos conhecer e só pudemos realizar esse desejo porque fomos de carro. Além de ser mais económico, de avião seria impossível», explica aquele designer gráfico. Em 1999 o casal viajou até às praias do Sul de Marrocos. «Em 10 dias, gastámos pouco mais que 600 euros, já com o gasóleo incluído.»

Rafael Toucedo, 25 anos, é sensível ao factor económico destas viagens. «É verdade que se poupa bastante dinheiro, mas é necessário ter tempo para fazer um percurso que valha a pena.» O jornalista prefere eleger o «conforto, liberdade e mobilidade» como razões para passar as férias ao volante, de preferência longe, muito longe, como aconteceu em Março e Abril deste ano, na viagem que fez ao Chile e à Argentina. Não que tenha atravessado o oceano de automóvel, claro, mas mal pôs pé em terra firme, de imediato arranjou um carro, junto dos familiares do amigo que o acompanhava. E foi assim que chegou à Ilha de Chiloé e ao vulcão de Villarrica.

O baptismo do jornalista numa viagem longa, ao volante, aconteceu em 1999, quando percorreu meia Europa com um grupo de amigos para assistir ao eclipse solar, na Hungria. Partiram de Lisboa a 30 de Julho, passaram por Madrid, Saragoça e Barcelona e dois dias depois já estavam no Mónaco. Seguiram por Veneza, Lubliana e Zagreb e, no dia 7, assistiram ao último eclipse do milénio, como planeado, nas margens do Lago Balaton.

A decoradora Cristina Lucas, 45 anos, já viajou por quase toda a Europa, mas cansou-se das suas «paisagens assépticas» e prefere rumar a Marrocos, país a que regressa todos os anos, desde os finais da década de setenta. A paixão pelo mundo berbere foi herdada pela filha Joana, 25 anos, estudante de Antropologia, que conheceu o país na companhia da mãe, aos 11 anos. «É uma terra muito bonita, de horizontes largos, cheia de cores e cheiros diferentes. É fabuloso para andar de carro.» Juntas, já viajaram mais de dez vezes para Marrocos e ambas consideram que essas aventuras contribuíram decisivamente para a relação cúmplice que hoje mantêm.
 

 
 Falta muito?
 
Viajar com crianças pode ser uma aventura muito pouco divertida. Mas há formas de contornar a impaciência típica dos mais novos. A bem da sanidade dos mais velhos...

 Envolver as crianças na definição dos percursos pode levá-las a interessarem-se mais pela viagem. Se a idade o permitir, entregue-lhes um mapa e transforme-os em co-pilotos. Em que estrada estamos, que aldeia vem a seguir, quantos quilómetros faltam para o nosso desvio? Passe a fazer as perguntas e deixe-as ocupados a encontrar as respostas

 O banco de trás é o reino dos mais pequenos. Leve almofadas e uma manta para tornar os momentos de descanso mais confortáveis e deixe-os escolher os brinquedos que querem levar. Uma pequena placa de madeira pode transformar-se numa mesa improvisada, para pintar e desenhar. A selecção da música também deve contemplar os gostos dos mais novos

 Faça os percursos mais longos durante a noite ou logo a seguir às refeições, aproveitando os períodos de sono das crianças

 Água, bolachas e fruta nunca devem faltar a bordo. É também importante respeitar os horários das refeições e parar de três em três horas, para andar um pouco e ir à casa de banho. Caso o tempo o permita, faça um piquenique em vez de tomar uma refeição numa estação de serviço. Os miúdos preferem e sempre podem gastar energias, brincando ao ar livre.
 
Pela estrada, em família

Se algumas condições existem para se alcançar uma absoluta liberdade, é espírito prático e capacidade de adaptação. E quando a viagem inclui crianças, junte-se-lhes uma boa dose de paciência e muita criatividade.

Parece fácil, ao ouvir o advogado Pedro Górdon, 37 anos, e a arquitecta paisagista Catarina Assis Pacheco, 33, falar com entusiasmo das suas últimas férias em família, há dois anos, por terras da Bretanha. No banco de trás viajavam a Margarida, 6 anos, o João, 4, e o Simão, com apenas 10 meses. «O segredo é proporcionar-lhes o mínimo de conforto e mantê-los ocupados. Sempre que viajamos, oferecemos um bloco novo a cada um, bem como kits de pintura, e deixamos que escolham alguns brinquedos», explica Catarina. «A música também é seleccionada segundo o gosto deles e levamos sempre cassetes com histórias infantis. E muitas bolachas Maria», remata, bem-disposta.

«Já viajávamos muito os dois e mesmo com os miúdos continuamos a fazer-nos à estrada, sem nada marcado. O que é atraente nestas viagens é a liberdade de escolher», considera Pedro. Só quando o Sol começava a fugir é que pensavam em procurar um sítio para passar a noite, que encontravam, geralmente, com a ajuda preciosa dos filhos mais velhos. «Nesse ano, íamos com um plafond um pouco limitado e só podíamos ficar em hotéis baratinhos. Convencemos os miúdos de que os hotéis com menos estrelas é que eram os melhores…», conta, com um sorriso, enquanto relembra os gritos de felicidade da Margarida: «Está ali um de uma estrela!»

A preocupação das dormidas acabou para a advogada Marília Lourenço, 36 anos, no ano em que se rendeu ao conforto das autocaravanas. Com um filho de 5 anos e outro de um ano e meio, considera ser este o meio ideal para manter a liberdade de escolher os percursos de férias, sem a rigidez do banco do carro. «A verdade é que os miúdos se entretêm muito pouco a olhar pela janela e numa autocaravana têm um apoio logístico que no carro não existe. Há frigorífico, televisão, podem brincar, ler um livro… é muito diferente.» Habituada a viajar sem regras, desde a adolescência, Marília encontrou nas autocaravanas a solução ideal para fugir aos pacotes de férias das agências de turismo. «Numa viagem tem de haver o elemento surpresa. Para mim, seria impensável viajar, sabendo, à partida, que iria dormir sempre no mesmo sítio, durante tantos dias, para ir à praia ao lado, tendo isto e aquilo para comer ao pequeno-almoço, almoço e jantar. Eu quero poder optar. E a caravana oferece-me a liberdade suprema de estacionar num sítio bonito e dizer: é aqui que me apetece acordar amanhã.»
 

 

 

 
 
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